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A psoríase forma placas. São áreas avermelhadas, de borda nítida, cobertas por escama prateada ou esbranquiçada que se solta em lâminas. Cotovelo, joelho, couro cabeludo, região sacral e unhas são os lugares que mais se repetem. O tronco também entra. A pessoa muitas vezes já chamou isso de “caspa grossa” ou de “micose que não passa” antes de alguém olhar o conjunto.
A doença é inflamatória e crônica. Melhora sem aviso e piora sem um único culpado. Não se pega. Não é falta de banho. Não se resolve com uma ida à farmácia quando as placas já ocupam roupa, trabalho e sono.
O que a placa mostra
A escama é seca. Por baixo, a pele é vermelha e pode pontilhar se a escama for arrancada. Coceira existe em parte das pessoas e falta em outras. Dor e fissura aparecem quando a placa está na palma, na planta ou numa dobra, onde a pele precisa dobrar.
Há mais de uma forma, e o nome muda o que se espera:
- Em placa, a forma mais conhecida, com lesões estáveis de centímetros.
- Em gotas, placas pequenas e numerosas, mais no tronco, às vezes depois de uma infecção de garganta. Não é alergia àquela infecção. É um padrão da doença.
- Nas dobras, axila, virilha e abaixo da mama, quase sem escama, só vermelhidão bem desenhada. Confunde com fungo.
- Na palma e na planta, pele espessa, fissura e dor para caminhar ou segurar ferramenta. Confunde com eczema de contato.
Uma minoria tem pus estéril em cima da placa, sem bactéria. Isso não se trata como infecção por conta própria. É motivo de consulta, não de antibiótico de gaveta.
Unha com furinhos, mancha amarelada, descolamento ou espessamento pode ser a mesma doença. Nem toda unha grossa é psoríase: fungo imita, e a diferença está no exame, não na foto. O caminho do fungo está em micoses de pele e, se a dúvida for o raspado, em exames micológicos.
Por que a placa volta
A pele da psoríase se renova depressa demais e inflama enquanto faz isso. Há predisposição e há participação do sistema imune. Infecção, alguns medicamentos, bebida em excesso, pele ferida e estresse aparecem na véspera de pioras, com peso diferente em cada pessoa. Nenhum deles “causa” a doença sozinho, e eliminar todos não apaga a predisposição.
O fenômeno de Koebner explica a placa que nasce num corte, numa tatuagem ou numa queimadura solar, dias ou semanas depois. Não é regra. Serve para não agredir a pele à toa, inclusive com procedimento estético em área doente, sem combinar com quem acompanha a psoríase.
Sol moderado acalma algumas peles e queima outras. Não é receita. Queimadura piora.
Junta, olho e o que se conta na consulta
Rigidez de manhã, dor em joelho, tornozelo, dedo da mão ou na coluna, ou um dedo que incha por inteiro, podem caminhar com a pele. Isso não fecha artrite neste texto. Muda a pressa da avaliação, porque pele pequena com junta ativa não é “só estético”.
Olho vermelho e dolorido também se menciona. Não se conclui uveíte por um olho irritado de um dia. Só não se esquece de dizer.
Uma placa única, que cresce, sangra ou não se parece com as outras, pode pedir mais do que o olhar. A biópsia de pele existe para essa dúvida. Não é o primeiro passo de toda descamação, nem um atalho para nomear psoríase que já está clara no exame.
O que não é psoríase
Dermatite atópica coça mais, resseca a pele em volta e desenha mal a borda. Eczema de contato fica no lugar de uma substância. Micose cresce para fora, com borda ativa e centro mais calmo. Dermatite seborreica descamando no sulco do nariz e no couro não é, por si, psoríase, embora as duas possam coexistir e o exame precise separá-las.
Psoríase não passa pela toalha, pelo abraço nem pela escola. Afastar a pessoa por medo de contágio é um dano à parte, e não tem base.
Couro cabeludo sem transformar isto em tricologia
O couro descama, e a escama pode passar da linha do cabelo para a testa. Isso ainda é pele. Se a pergunta é falha, rarefação, ou uma placa que destrói o fio e deixa a área lisa, o caminho muda. Essa investigação está na tricologia, inclusive no lúpus no couro cabeludo, que imita descamação e não é psoríase. Este artigo não reescreve aqueles.
O dia a dia da placa, sem transformar o texto num plano
Coceira na psoríase existe e, em muita gente, é menor do que a da dermatite. A queixa maior costuma ser a escama na roupa escura, o sangramento quando se coça e a placa que impede de usar manga curta. Palmas fissuradas doem no trabalho. Planta fissurada dói no passo. Isso pesa tanto quanto a extensão medida em porcentagem de pele, e a consulta pergunta o que a doença impede, não só onde ela está.
Infecção de garganta, em adolescente, pode anteceder o padrão em gotas. Tratar a garganta, quando há infecção, é uma conversa. Não apaga a predisposição, e não se repete antibiótico em toda crise de placa achando que “é a garganta de novo”.
Alguns remédios pioram psoríase já conhecida. A pessoa não suspende medicação de uso contínuo porque a placa aumentou. Leva a lista. O mesmo cuidado de reações da pele a medicamentos vale aqui, com uma diferença: na psoríase o remédio pode agravar uma doença que já existia, sem ser uma alergia ao comprimido.
Procedimento estético, tatuagem e depilação agressiva em cima de placa ativa pedem combinação. O Koebner não é teórico: a placa nasce no risco. Área estável há tempos é outra conversa, presencial.
Não há cura para prometer, e não há hierarquia de gravidade que se feche por foto. Placa pequena em genital ou em unha pode incomodar mais do que placa grande no joelho. O exame olha os dois.
Procure dermatologista se as placas aumentam, se a palma ou a planta fissura, se a unha muda, se há dor articular, se a doença limita roupa e sono, ou se o que parecia caspa não fecha. No Instituto Venanzi, em Campo Mourão, o exame é do Dr. Maycon Francis de Souza (CRM/PR 38901, RQE 36417). O plano depende da forma, da extensão e do que mais a pessoa apresenta. Não cabe neste texto. A especialidade está em dermatologia.
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Perguntas frequentes
O que é psoríase?
É uma doença inflamatória crônica da pele. O achado mais conhecido é a placa avermelhada, bem desenhada, com descamação esbranquiçada. Existem outras formas, e o nome certo depende do exame.
Psoríase pega?
Não. Não se transmite por toque, toalha ou convívio. É uma doença da própria pessoa, com participação do sistema imune e predisposição, não uma infecção que se passa adiante.
Psoríase é eczema?
Não. As duas inflamam e descamam, mas o desenho da lesão e a história diferem. Dermatite atópica costuma coçar mais e ter pele seca difusa. A separação é clínica.
Psoríase no couro cabeludo é queda de cabelo?
Descamação no couro pode coexistir com queda, mas este texto não explica falhas, alopecia nem lúpus no couro. Essa investigação está na tricologia.
Toda descamação é psoríase?
Não. Micoses, dermatite seborreica, eczema e outras doenças descamam. Tratar descamação como psoríase sem exame atrasa o diagnóstico certo.
Quando procurar dermatologista?
Quando as placas se espalham, doem, limitam as mãos ou os pés, vêm com dor nas juntas, ou quando um creme de venda livre não organiza o quadro. Unhas espessas e couro muito descamativo também entram na consulta.
Psoríase tem cura?
O curso é crônico, com fases de melhora e de atividade. Não há como prometer desaparecimento definitivo. Dá para discutir controle na consulta, conforme a forma e a extensão. Este texto não descreve esse plano.
Ferida ou arranhão pode virar placa?
Pode. É o fenômeno de Koebner: uma lesão surge onde a pele foi agredida, dias ou semanas depois. Não acontece em toda pessoa com psoríase, e não significa que todo arranhão vire placa.
Dor na junta junto com a placa importa?
Importa contar na consulta, sobretudo rigidez de manhã. Pele e articulação às vezes caminham juntas. Este artigo não fecha diagnóstico de artrite. Só marca por que a informação não pode ficar de fora.

